A língua das árvores

Na mata torna-se evidente a variedade de cores, tonalidades e sombreados que emanam da enorme riqueza das espécies existentes. Não há comparação com as monoculturas ordenadas das grandes fazendas. Não se pode obrigar a natureza à vestir um espartilho.
Aqui pode-se ver, sentir e respirar a diferença que um biótopo não comprometido traz em suas mínimas partículas, como por exemplo as nuances de tonalidades de verde e o esplendor de um opulento florescer satisfazendo todos os nossos sentidos. Algumas árvores estão fartas de flores em tons que vão do violeta ao vermelho do branco ao amarelo...é por isso que dá uma dor muito grande só de pensar que pessoas poderiam atear fogo em uma dessas matas preciosas lá do vale.

Quanto mais nos afastamos do rio em direção ao planalto, as árvores vão se tornando mais raquíticas e ossudas lembrando, por vezes, anciões centenários excêntricos e corcundas.

A Serra não possue árvores gigantes como as que encontramos nos trópicos, aqui elas não passam de 20 m de altura. No entanto em volta dos rios a floresta se torna especialmente densa acolhendo o indomável caos de uma natureza difícil de se curvar.